Radiohead vai do blues ao psicodélico com o digno 'A moon shaped pool'

Radiohead vai do blues ao psicodélico com o digno 'A moon shaped pool'

A primeira música tem “cara de festival”. A segunda é “uma canção longa, tipo chata”. A oitava “lembra Kung Fu Panda”. A nona é uma “música legal”. A décima primeira “pode fazer as pessoas chorarem”. Avaliação final: nota 7.

Esta "crítica" do novo disco do Radiohead, "A moon shaped pool", foi escrita por um sucinto garotinho de oito anos. Divulgada pela mãe do menino (clique aqui), tem repercutido desde o lançamento do álbum, no domingo (8).

Mas diz aí: o minicrítico tem razão? Apesar de rigoroso, ele tem, sim. O trabalho é OK. Bonito, belos momentos. Mas o Radiohead já foi melhor (no excelente "The bends", de 1995, e no celebrado “OK Computer”, de 1997) e já chutou o balde na ousadia (no eletrônico “Kid A”, de 2000). Só que já foi pior (no dispensável “Amnesiac”, de 2001).

Em “A moon shaped pool”, a banda abandona a rebeldia sem causa e a obsessão pela eletrônica como – suspiro... – experimentação. O quinteto acredita em guitarra, violão, piano e percussão. E, sobretudo, nos arranjos e na pretensão do guitarrista Jonny Greenwood. Muito bem, Radiohead. Rola até (quase) bossa nova, folk, psicodelismo, blues (de leve). Eis o lado bom do grupo que carrega o status/clichê de “o Pink Floyd de sua geração”.

O lado ruim é que o Radiohead se ocupa mais da própria reputação – e do próprio mistério – que da própria música. “A moon shaped pool” é inédito naquelas. Das 11 músicas, cinco circulam em versões prévias. Caso de "True love waits", tocada em shows desde 1995.

“De onde menos se espera, é daí é que não sai nada mesmo”, diz a frase atribuída ao Barão de Itararé. Com o Radiohead é o contrário. Avaliar sem levar isso em conta é subestimar. Se “A moon shaped pool” – nono CD de estúdio e primeiro desde “The king of limbs” (2011) – for o último disco, então terá sido um testamento digno. Não o auge.

Deixe seu Comentário