Envelhecimento aumentará casos de câncer mas número de mortes deve diminuir

Envelhecimento aumentará casos de câncer mas número de mortes deve diminuir

Os avanços da medicina e o maior acesso à saúde possibilitaram o aumento da expetativa de vida no Brasil e no mundo. Se por um lado as pessoas estão vivendo mais, por outro, elas necessitam de mais cuidados. A conclusão é de especialistas após estudos que apontam que o envelhecimento está ligado ao aumento da incidência de câncer devido a alterações fisiológicas relacionadas à idade.

Especialistas alertam que a doença é a segunda causa de mortes no País, superado apenas por problemas cardiovasculares, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Para o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Gustavo Fernandes, prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais para diminuir o número de óbitos. 

Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que a doença deve atingir 596 mil pessoas somente no Brasil, neste ano. O tipo de câncer mais incidente entre homens e mulheres é o de pele não melanoma.

Entre os homens, os mais frequentes são os de próstata, pulmão e cólon e reto. Já nas mulheres, as maiores incidências são de cânceres de mama, cólon e reto e colo do útero. De acordo com a UICC (Union for International Cancer Control), 8,2 milhões de pessoas morrem a cada ano em decorrência do câncer no mundo, sendo que 4 milhões morrem prematuramente entre 30 e 69 anos.

Os pacientes ignoram sintomas que parecem banais e demoram para procurar atendimento médico em muitos casos. E isso não é exclusividade do Brasil, informa o especialista.

Um estudo do ano passado feito na Inglaterra mostrou que os pacientes demoram meses para ir ao médico quando notam algo errado porque desprezam os sintomas. Uma dor que não desaparece, sangramento, tosse persistente. Com o diagnóstico tardio, o tratamento tem menos chance de cura, é mais sofrido e custa muito mais caro para o Estado.

Mais câncer, menos mortes

Gustavo Fernandes ainda afirma que a incidência de câncer entre jovens adultos com até 50 anos é de 1 para 30. Acima de 70 anos, de 1 para 3. Além de a incidência ser menor, as crianças têm mais chance de cura porque, geralmente, não possuem outras doenças associadas, o que possibilita fazer tratamentos mais agressivos.

Em contrapartida, o número de mortes deve cair porque os tratamentos estão melhores, informa Fernandes. “No Brasil, há dificuldade de ter estatística, mas nos EUA, por exemplo, há 6 milhões de pessoas curadas de câncer. Essa fração substancial da população tende a aumentar porque as pessoas estão tendo mais câncer, mas morrendo menos”.

O especialista recomenda adotar hábitos saudáveis, que podem diminuir as chances de se ter a doença, e abandonar fatores de risco, com cigarro, responsável pelo maior número de mortes, abuso do álcool, que aumenta o risco de câncer de fígado, e má alimentação, já que o consumo de embutidos aumenta a chance de câncer no intestino grosso, assim como o consumo exagerado de carne vermelha, obesidade e sedentarismo.

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